Crescemos ouvindo falar do tão ameaçador aquecimento global. Ouvimos no noticiário, nas rodas de conversas, nas escolas. Mas pouca gente leva realmente a sério o fenômeno. Parece que ele faz parte de uma realidade distante de nós. Por ser um assunto complexo e de abrangência global, as pessoas acabam deixando o tema para as autoridades, e não se preocupam em cobrar que se cumpram metas a esse respeito.

Este mês o Brasil assinou um documento que confirma o Acordo de Paris, que coloca metas de redução de emissões dos chamados gases de efeito estufa. Mas pouco se falou sobre o assunto. Todos conseguem sentir as mudanças climáticas, e as pesquisas estão cada vez mais pessimistas. É certo que vamos precisar de medidas urgentes e eficazes para diminuir a emissão desses gases.

Por mais que todos tenham ciência dos riscos que corremos, falta clareza sobre como proceder numa questão tão complexa e global. Recentemente foi divulgado que julho deste ano foi o mês mais quente já registrado, desde quando se começaram a fazer esse tipo de análise, há 127 anos. Já sabemos também que as consequências serão catastróficas e irreversíveis, com danos para a agricultura, florestas, e a biodiversidade. Daí a importância de ouvir e divulgar quem está falando a respeito.

Recentemente me deparei com uma reflexão interessante de um engenheiro que é autoridade no assunto. Ele se chama Hiram Sartori e em sua fala aborda questões relativas ao meio ambiente e saúde pública. Cliquei em seu site e passei por seus diversos canais de comunicação, e me deparei com uma grande quantidade de informações sobre o contexto atual do nosso país, pesquisas acadêmicas, informações sobre o que as autoridades podem fazer e qual o papel das empresas e do cidadão comum para manter o meio ambiente saudável.

Neste texto específico, “O crescimento da energia solar no mundo”, Sartori fala de um grande avanço que o mundo deu em relação a emissão dos gases do efeito estufa, e quais medidas devem ainda ser tomadas. O fato é que 2015 foi o ano de maior investimento em eletricidade e combustíveis renováveis, batendo recordes. Cerca de 286 bilhões de dólares foi investido em energias limpas, com destaque para a energia solar e eólica.

globalização

Segundo o engenheiro, o Brasil tem o potencial gigante de energia solar, com regiões propensas a atividade, como o nordeste do país, que apresenta regiões semiáridas com alta irradiação e baixa pluviosidade. A vantagem é que o sistema fotovoltaico não precisa de alta irradiação solar, mas se beneficiaria de uma densidade adequada de nuvens, devido ao fenômeno de reflexão da luz solar. Outra vantagem é que a energia solar não exige áreas muito extensas, o que facilita sua implantação.

O sistema de energia solar ainda é caro e tem baixa eficiência, e ainda devem ser estudados métodos de descarte de material que não prejudique o meio ambiente, mas é uma solução real e que é acessível. Segundo levantamento do Greenpeace, para a implementação de uma matriz totalmente livre de combustíveis fósseis no Brasil, seria preciso cerca de 1,7 trilhão em investimentos até 2050. Parece muito? Pois esse valor é apenas 6% a mais do que o Brasil deve investir no setor de energia, considerando as políticas públicas atuais.

Precisamos de levantar o debate, cobrar das nossas autoridades, investimentos em pesquisas. As eleições estão chegando. Seria legal um debate construtivo que envolva a todos; candidatos que pensem na qualidade de vida além dos problemas mais próximos. Precisamos de informação e um posicionamento diante do mundo. É a nossa vida em jogo.